01 Fevereiro, 2009

RAUL NÃO MORREU

Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiicho..... Allan Kardec estava certo!!!!! Agora eu acredito em reencarnação.



Achei a foto aí numa página do orkut. Desconheço o autor. O nome do personagem? Deve ser Rauzito!!!!

31 Janeiro, 2009

PROVÉRBIOS ERRADOS

Machado de Assis em Esaú e Jacó:

"Sem as suas predições grandiosas, a esmola de Natividade seria mínima ou nenhuma, e o gesto do corredor não se daria por falta de nota. 'A ocasião faz o ladrão', conclui o meu correspondente.

(...) Além disso, o provérbio pode estar errado. Uma das afirmações de Aires, que também gostava de estudar adágios, é que esse não estava certo.

- Não é a ocasião que faz o ladrão, dizia ele a alguém; o provérbio está errado. A forma exata deve ser esta: 'A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito'."

O Bruxo do Cosme Velho adorava esse estilo proverbial. Colocou na boca do Conselheiro Aires essa genial revisão do dito popular. Eu, como o Aires, também sou um estudioso dos adágios. E não estou sozinho, posto que de tempos em tempos encontro alguns companheiro de viagem que o fazem, talvez não tão genialmente como Machado de Assis e seu Aires, é verdade, mas com certo humor.

O fato é que vários provérbios estão errados ou podem ser adaptados para novas situações.

O que segue abaixo é coisa que cito de memória, atribuo-os a quem mos passou. As injustiças, nesse caso, devem ser perdoadas.



EM TERRA DE CEGO, QUEM TEM UM OLHO É CICLOPE
(Prof. Adalberto - puxa, não sei o sobrenome! É o Adalberto que dá aulas de português no São Francisco e na UEMG, quem souber)

DEUS AJUDA QUEM SEU MADRUGA
(diOli)

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA ESPIRRA NA GENTE
(esse é meuzinho mesmo)

DE CAVALO BANGUELA NÃO SE OLHAM OS DENTES
(a obviedade pode ter lá o seu humor. meuzinho também)

Se um dos meus três leitores souber de algum, que mande. Ou que crie os seus, pra entrar na brincadeira.


"é só isso o meu baião... tem mais nada não"...

30 Janeiro, 2009


ACORDO ORTOGRÁFICO

Vamos (re)começar colocando os pingos nos is. Ou tirando os pingos dos us. Porque o trema caiu, foi extinto e não precisa ser mais usado.

É, o Acordo Ortográfico já está em vigor e não adianta espernear. O negócio é ir, aos poucos, assimilando as (poucas) mudanças. Não é uma obra épica, não vai exigir nenhum esforço heróico... ops... heroico, sem o acento, ainda que o computador sublinhe de vermelho.

Outro dia encontrei-me com um amigo também professor de português que reclamava, justamente aliás, contra as mudanças. De fato, o ideal é que a ortografia permaneça o mais imutável possível, que não sofra variações. A grafia – não a língua! Grafia é apenas a representação da língua por símbolos gráficos. A língua muda todos os dias, não para (sem o acento, ok) e não possui “donos”. Dono da língua é o povo, o falante. O conceito de “erro” relativamente à língua é inadequado. Já a grafia, essa possui regras (muitas vezes arbitrárias e incoerentes, é bem verdade) e devem (ou deveriam!) ser obedecidas pelos usuários da modalidade escrita.

E o Acordo que ora se discute tem uma boa razão política que não cabe debater aqui (é assunto pra mais espaço, pois envolvem argumentos bons de quem é favorável e de quem é contrário).

Ou seja: vamos aprender a escrever ideia sem o acento, linguiça sem o trema, autoescola junto e micro-ondas separado. Não precisa ter pressa, vá se acostumando aos poucos e, sem sofrimento, você vai assimilar as regras. Algumas, confesse, você já não praticava antes. Então. É só continuar.

A primeira sugestão pra começar a assimilar as regras, é educar o seu computador a elas. Abra uma página de word, vá em Ferramentas, Opções de Auto-correção e elimine aquelas que não valem mais (linguiça costuma estar lá).

No mais, é rir, como na charge abaixo, de Jean.

21 Janeiro, 2009

DE VOLTA AO BATENTE!

OLHA SÓ! POR UM DESSES FELIZES ACASOS, CONSEGUI "ABRIR" NOVAMENTE MEU BLOG. EU PENSAVA QUE HAVIA PERDIDO O ACESSO PERMANENTEMENTE, MAS, COMO PODEM PERCEBER MEUS TRÊS LEITORES, EU ESTAVA ENGANADO.

VOU ATUALIZAR E PUBLICAR AS COISAS QUE ESTAVAM NA GAVETA.

ENTÃO, MÃOS À OBRA!

15 Agosto, 2008

O CAMINHO DO CLOWN

UM CAMINHO PARA O ENCONTRO DO SER

Uma potente e comovedora festa de loucura e poesia onde podemos celebrar finalmente a totalidade do ser

Ainda sob o efeito de maravilhamento, tentarei dizer um pouco do que foi participar do 1º módulo do curso O CAMINHO DO CLOWN, ocorrido em Ipatinga (MG), nos dias 9 e 10/08

O CAMINHO DO CLOWN é dividido em quatro módulos de 20 horas cada; os módulos são A CONFIANÇA, A ESCUTA, A PRESENÇA e O ENCONTRO. É um curso completo de palhaço ministrado por Alain Vigneau, professor de projeto de circo do Liceo Francês de Valência, professor de clown na Escola d’Expressió i Psicomotricitat Carme Aymerich, professor de clown Terapia na Formación de Arteterapia de la Asociacíón para la Comunicacíon y la Expresión (Barcelona), fundador do grupo Lastravagante (http://www.lastravagante.com/), artista colaborador da ONG “Payasos Sin Fronteras”.

O curso promove o encontro da pessoa consigo mesma, com sua realidade, suas limitações, idiossincrasias, dúvidas, potências, mas sempre pelo viés do humor, embora muita lágrima role durante as sessões (como grifa Alain Vigneau, entre o riso e a lágrima há uma tênue fronteira, são mais próximos do que geralmente se supõe e muitas vezes expressam as mesmas emoções, os mesmos sentimentos). É uma incrível viagem de recuperação, de reencontro, de reavaliação e revalorização (ou seria melhor dizer ‘revaloração’?) de nossa criança interior.

1º MÓDULO: A CONFIANÇA

O primeiro módulo é um mergulho no universo mágico e poético do palhaço. Possibilitar a expressão da individualidade com tudo o que ela tem de belo e de limitado, de maravilhoso e de particular – aquelas ‘coisinhas’ que pertencem a cada um e que normalmente taxamos (no outro) de ‘ridículo’, ‘feio’, repreensível; aquilo que tentamos esconder por considerarmos nossa fraqueza; aquilo que julgamos vergonhoso em nós mesmos, mas que é exatamente o que nos torna humanos, falíveis, extremamente belos em nossa imperfeição.

Olhar para si com os olhos de um palhaço, olhos que esquecêramos n’algum canto da infância (Quando foi mesmo que tudo começou a mudar? Em que dia exatamente tudo ficou para trás?).

Quem nos conduz a essa viagem de retorno é o palhaço, representante máximo da alegria e do humor. É ele quem nos dá a mão e nos revitaliza para o enfrentamento diário das sacanagens, das caretices, das burrices mal-humoradas que o mundinho burguês chato e pedante impõe de forma sorrateira, suja, desonesta.

O curso é constituído de sessões de aquecimento energético e corporal, jogos e dinâmicas de contato e improvisações, oferecimento de e abertura ao toque e à pele do outro. Através dessas atividades, o participante constrói seu próprio jogo cênico tendo como orientação básica a gramática do clown, cujos fundamentos são: entrega, escuta, sinceridade, comunicação, aceitação, fantasia, imaginário, disponibilidade, êxito e fracasso, vulnerabilidade, estratégia, emergência, confiança. As atividades são apoiadas na música (Olé! Espanha!!!), uma trilha sonora que vai do tango ao flamenco, passando pela bossa nova, o samba, os clássicos, o barroco, o popular e tudo mais que se pode imaginar.

Alain Vigneau é uma figura doce, angelical, severo quando necessário, sensível sempre.

No que tange às técnicas de palhaço, é bastante semelhante na estrutura ao curso de iniciação à arte do clown ministrado por Cícero Silva, o nosso Titetê, inclusive na seqüência em que são apresentados os exercícios. A diferença é mesmo quando ao aprofundamento nas questões relacionadas ao psicológico, às viagens a nós mesmos, às visitações à infância, ao passado...

Em novembro ou dezembro Alain estará de volta ao Brasil para continuação do curso. Tentaremos inserir Divinópolis no roteiro. É uma oportunidade única pra quem deseja se conhecer um pouco melhor.

03 Agosto, 2008

PEDIDO (IN)FORMAL DE DESCULPAS

O CIRCO PEGOU FOGO!!!

Fui (muito!!!) infeliz nos comentários sobre o Circo Kalahary e peço desculpas publicamente

Os meus cinco leitores devem estar se deliciando com o verdadeiro “pito” que levei dos profissionais do Circo Kalahary nos comentários da postagem anterior a essa. Isso é bem feito pra eu deixar de ser idiota e falar demais. Vamos ao que interessa.

1) Em primeiro lugar quero, humildemente, PEDIR DESCULPAS a todos os profissionais e artistas do Circo Kalahary. Fui grosso (sem querer e sem perceber que o era) e infeliz em meus comentários, mas o fiz, juro, com a alma limpa de palhaço aprendiz (e atrapalhado) que sou. Não pretendia ofender ninguém, nem a instituição Circo Kalahary, nem seus profissionais, nem o “circo” propriamente dito. O que eu realmente quis dizer é que essa instituição, o circo, hoje, infelizmente, ainda é tida como uma arte menor, sem valor, sem prestígio; e que os heróicos artistas que conseguem manter viva essa arte milenar são merecedores de todos os mais rasgados elogios.

Quando usei a (infeliz) expressão “charme da alma decadente de um circo espelunca” pensava expressar exatamente aquilo que meus olhos viram na noite do domingo, dia 20/07/08 (especialíssimo para mim!).

O “decadente” pode parecer dirigido ao Kalahary especificamente, mas (e nisso, creio que os próprios artistas do circo concordarão comigo) não é “este” circo propriamente dito, mas todos os circo que ainda rodam o interior desse país com os parcos e raros recursos de que dispõem. Torço sinceramente para que deixe de ser decadente esta maravilhosa arte circense e que volte a gozar dos dias de glória que experimentou no passado. Decadente porque já vi circos lotados nos anos 1970 e hoje, infelizmente, não é mais assim. Decadente porque os circos da minha infância paravam a cidade com sua chegada e hoje, infelizmente, não é mais assim. Os tempos são outros... Eu e minha antiquada alma de menino ainda preferimos as tábuas empoeiradas e soltas das arquibancadas de circos como o Kalahary.

O “espelunca” provavelmente tenha feito ainda mais estragos, mas... meu Deus... desde que me entendo por gente, desde criança, vou a circos. Vejo que a vida de um artista circense nada tem daquele glamour que possuem os que aparecem na TV ou no cinema, mas que eu, quando menino, imaginava tivesse. O circo (ou pelo menos todos os circos que vi até hoje, de Orlando Orfei a Kalahary, passando pelo Gran Circo Mexicano e outros de cujo nome não me lembro agora, pois, como disse, tento não perder nenhum que apareça por aqui) tem sim um charme especial, um ar de algo que somente os que têm alma de criança conseguem enxergar... Uma magia, um mistério, um segredo...

Sinto muito, mas os meus olhos de adulto vêem esse charme, hoje, como “espelunca”, mas num sentido que os dicionários não trazem (e talvez nunca tragam!) de “digno em sua capacidade de resistir”, de “anacrônico aos neons e oferendas mil da sociedade espetaculosa e limpinha dos shoppings”.

Eu, particularmente, me sinto mais à vontade em lugares “espeluncas” do que em lugares “limpinhos” como agências bancárias e condomínios de ricaços e shoppings (tinha um do lado do lugar onde o Kalahary montou sua lona!), todos eles cheios de granitos lisinhos e ares-condicionados e cheiro de desinfetante e demais atrativos e salamaleques burgueses. Eu particularmente prefiro o cheiro de lugares como a arquibancada do Circo Kalahary, o cheiro (melhor: perfume) de lugares simples e com a limpeza que só a pobreza tem em sua dignidade; lugares que evocam a casa de minha avó e a minha própria casa, cheiros que eu percebia quando era criança e meu nariz não distinguia o cheiro do dinheiro e da hipocrisia. Pra mim, é no “espelunca” que está o cheiro de gente, de gente de verdade. Há outros lugares “espeluncas” que me atraem... Em breve esse blog divulgará alguns deles.

Mas tudo isso que digo vai ficar parecendo demagogia barata e não quero isso. Eu quero ser sincero como as pessoas que me conhecem de perto sabem que sou. Então vou ser simples e direto: DESCULPAS PELAS PALAVRAS INFELIZES. SE OS ARTISTAS DO KALAHARY PREFERIREM, EU AS RETIRO DA POSTAGEM. MAS NÃO QUIS, EM MOMENTO ALGUM, DENEGRIR A DIGNIDADE, A SINCERIDADE, A CORAGEM, A SIMPLICIDADE BELA DO TRABALHO HONESTO QUE VOCÊS APRESENTARAM.

Como eu digo no texto, eu acabara de chegar de BH após um curso pesado e cansativo e, ao invés de ir para casa, corri ao circo para vê-los. E correrei sempre que ouvir o nome desse e de outros (resistentes) circos.

Portanto, MIL DESCULPAS novamente.

2) Só a minha filha sabia disso, mas agora todos vão saber. O “gordinha” não expressa a verdade que eu vi na trapezista do Kalahary. No dia seguinte à função a que assisti (ou seja, na segunda-feira, 21/07), comentei com minha filha o espetáculo que vira na véspera. E, sobre a trapezista, disse o seguinte a minha filha: “Ela não é bem ‘gordinha’, mas forte. Ela é baixinha e tem os ombros bem largos, por causa dos exercícios que tem que fazer”.

Eu sou gordinho e baixinho, não tenho absolutamente nada contra as pessoas que o são. A trapezista do Kalahary simplesmente não corresponde à imagem que qualquer pessoa faça de uma trapezista de circo. Aliás, isso até torna sua apresentação mais digna de elogios e aplausos, uma vez que ela supera as limitações naturais (altura, peso, etc.) com sua capacidade e talento naturais. Como a ofendi, peço DESCULPAS novamente, mas agora a ela pessoalmente e gostaria muito de fazê-lo em viva voz (por telefone ou pessoalmente, quando a oportunidade surgir).

O número de trapézio é um dos pontos altos do espetáculo do Kalahary. O senhor que se apresenta (ele terá uns 60 anos?) e o menino (ele terá uns 12?) de certa forma “roubam” a cena, exatamente por expressar (pelo menos foi assim que eu interpretei) os dois pólos de uma estrada que só se trilha para a frente: O ESPETÁCULO. E, todos sabem, O ESPETÁCULO NÃO PODE PARAR porque as gerações de artistas se sucedem e assim será para sempre. Ao ver aquele senhor se apresentando, minha alma de criança aflorou e meus olhos se encheram de lágrimas: o ser humano é capaz de coisas de que muitos duvidam. Ao ver o menino saltando no ar, uma lágrima rolou: o circo tem futuro sim e resistirá, apesar dos vários “não” que ele ouve todos os dias. Este senhor e o menino são, metaforicamente, corredores de uma prova de revezamento, em que um passa ao outro o bastão a ser conduzido. Maravilhoso, poético, lacrimejante... humano!
(Minha intuição de fisionomista é horrorosa, mas acho que o senhor do trapézio é pai do palhaço Cheirozinho, que por sua vez é pai do garoto do trapézio. Acertei?)

Quando cada artista terminava seu número, saltava sobre a rede (o “salto da perereca” que o Cheirozinho dá é fantástico, mágico, inesquecível!!!). Quando chegou a vez da trapezista saltar, na fileira atrás daquela em que eu estava, um grupo de meninos soltou um sonoro “Nóóóó!!!”. Claro: como ela é forte (sei lá qual a palavra usar, as mulheres sempre vão se ofender com o que nós dissermos delas... mas vá lá: “forte” expressa bem o que pretendo dizer) os meninos aguardavam ansiosamente pela sua vez.

Se os meninos fizeram esse “Nóóóó!!!” de alma limpa e sincera (os artistas de um modo geral, e os de circo em particular, sabem que as crianças nunca mentem), eu me incluo entre eles repito o “Nóóóó!!!” ao ver a rede ceder ao peso do corpo da (diga-se de passagem e com todo o respeito possível) bela trapezista. Que foi, aliás, a pessoa a quem paguei o bilhete de entrada. E que se chama Scarllet e escreveu um comentário na postagem anterior se identificando.

Mas (juro que não quero parecer demagogo, mas todo pedido de desculpas fica parecendo sê-lo) NUNCA QUIS OFENDÊ-LA. O número do trapézio é sim um dos pontos altos do espetáculo (o da caixa de mágica não!!!) e todos os que o realizam recebam, por favor, os meus mais sinceros parabéns.

Vocês são verdadeiros artistas.

(Mais de uma semana depois, fazendo minha caminha pelos lados de onde o Circo estava armado, pensava: como será que aquele garoto faz com escola? Como seus pais resolvem a parte burocrática que as secretarias de educação exigem? Enfim: eu estava envolvido com as pessoas que vira no espetáculo; eu não apenas assisti ao espetáculo, mas algo permaneceu em mim. Algo de importante e humano. Como será o nome disso?)

3) Esse pedido de desculpas já está ficando longo e cansativo e chato demais. Quase que eu o dividia em duas postagens. Mas agora vai ficar assim mesmo e faço a terceira e última observação.

Na saída do espetáculo, perguntei a um dos artistas do Kalahary (o equilibrista argentino de cujo nome não me lembro) até quando eles permaneceriam na cidade. Ele me disse que só tinha certeza da apresentação da segunda-feira, dia 21/07. Depois...

De fato, no dia 22 o circo levantou lona.

Na manhã da segunda-feira, ou seja, do dia 21, passei anonimamente de bicicleta em frente ao Circo. Vi como pessoas “normais” aqueles artistas que, na véspera, vira como parte do espetáculo. Minha idéia era ir ao circo e perguntar se eles passariam a semana ali, pois pretendia ter umas aulas de malabarismo (o número de malabarismo com a cruz de malta é muito bom!!!!!!!!!) e palhaçadas (as apresentações dos palhaços são excelentes!!!!!) com os artistas do circo. Se eu tivesse entrado e procurado alguém, certamente tudo isso que escrevo agora não seria necessário, pois iria conversar pessoalmente e elogiar a todos, pois saí do circo de alma limpa e leve.

Eu pretendia, sim, buscar no Kalahary as lições possíveis, pois hoje, aos 46 anos, pretendo me tornar palhaço (isso fica claro para quem ler as postagens que compõem esse modesto blog). Eu assisti ao espetáculo (e assistirei todas as vezes que voltarem a Divinópolis ou que eu me encontrar com a lona do Kalahary montada – uma aluna já me disse que o circo sempre se apresenta em Araújos e redondezas!) porque acredito que é ali que eu poderia aprender algo que enriquecesse minha modestíssima pretensão de me tornar palhaço e... artista amador de um circo solitário... O mais espelunca e decadente de todos os circos: o circo do eu sozinho (e ele vai acontecer, podem apostar!).

Sou professor e pretendo me tornar palhaço. Já me apresento como tal e confesso que, depois que pintei meu rosto e me vi espelhado nos olhos daqueles com quem brinco é que realmente comecei a me encontrar. Tenho um caminho novo para trilhar e acho que não é tarde, afinal, sou uma criança de 46 anos e pretendo, lá pelos 70 (ou seja: em plena adolescência!) poder fazer alguém rir de uma singela palhaçada. Sei que vou conseguir. E podem acreditar: o Cheirozinho e sua trupe me ensinaram muito.

Eu sei sim o que é cultura (por isso fui ao Kalahary e irei sempre), sei da importância de manter viva a alma do circo e farei tudo que estiver ao meu alcance para essa chama jamais se apague. Se pareci desrespeitoso, PEÇO DESCULPAS novamente. NUNCA QUIS DENEGRIR A IMAGEM DO CIRCO KALAHARY e, prometo: quando voltarem a Divinópolis, EU ME PRONTIFICAREI A SER UM DIVULGADOR DO CIRCO, se assim quiserem seus profissionais. Dentro dos limites do que consigo, farei o possível e o impossível para ajudá-los (menos saltar do trapézio!!!)


Ainda não retirei deste blog o texto que gerou essa polêmica; vou aguardar os comentários dos artistas do Circo Kalahary, pois eles é que dirão se devo ou não fazê-lo. O que eles disserem será feito. Acho que o tal palpite ("palpite infeliz" sim, Noel Rosa!) deveria ser mantido (pelo menos como “comentário” oculto) para que tudo isso fizesse sentido para meus cinco leitores, que não sabem do mal-entendido. Se preferirem, retirei, embora não pretendesse aquelas palavras como ofensivas.

Quero reforçar, portanto, meu PEDIDO DE DESCULPAS A TODOS OS ARTISTAS DO CIRCO KALAHARY, e mais especialmente a Scarllet, a trapezista à qual me referi de modo grosseiro e indelicado.

De minha parte, gostaria de iniciar uma relação de AMIZADE com todos os componentes do Kalahary e, dentro de minhas limitações, me tornar um divulgador e incentivador e parceiro de seu trabalho, desde que isso seja de seu interesse.

De coração limpo, de alma serena e com a mão estendida para a amizade:

JUVENAL BERNARDES (Palhaço Bandeirola)

(P.S.1 : ao palhaço Cheirozinho e demais: a minha mais sincera admiração. Vocês me ensinaram muito naquela noite. Eu voltei a ser criança através das brincadeiras que vocês realizaram).

(P.S.2 : meu irmão Pam-pam deve estar rindo a valer de mais essa trapalhada minha. Ele sempre ria muito das minhas mancadas e confusões. Pois é, Pam-pam, aposto que nisso tudo tem o seu dedo).

(P.S.3 : se vocês aceitarem o meu pedido de "fazer as pazes", meu email é juvenalbernardes@uai.com.br Entrem em contato e passem sua agenda de apresentações. Quem sabe eu "siga" o Kalahary e os encontre para um papo, um almoço, uma conversa amiga).

22 Julho, 2008

UM, DOIS, TRÊS... TENTE OUTRA VEZ!


Oficina com Cícero Silva (Titetê), em BH, aquece nossa alma de palhaço


Um barato! Aproveitando os dias de recesso escolar em julho, participei de mais um curso/oficina. Mais uma vez, o alvo era buscar subsídios para o Bandeirola, palhaço que, cada vez mais, toma conta de meu tempo. Que os meus cinco leitores não se assustem se, daqui a alguns dias, encontrarem apenas o palhaço quando procurarem por mim.


A oficina UM, DOIS, TRÊS... TENTE OUTRA VEZ! é uma espécie de ritual de iniciação no mundo clown. Em rápidas vinte horas, Cícero Silva apresenta os fundamentos básicos para quem procura seguir os caminhos palhaçais. Além de muito divertida, a oficina é uma possibilidade única de auto-conhecimento, de reflexão sobre nosso (miserável!) papel durante o curto espetáculo da vida. Ao desconstruir a máscara séria do homem social, aquela que usamos para tratar nossos compromissos cotidianos, e permitir que (re)aflore o rosto da criança perdida, os jogos palhacescos nos colocam diante de uma questão crucial: “Quem eu realmente sou aqui e agora?”. Isto é: será que ao vestir as máscaras da seriedade impostas/exigidas pelo mundo adulto estamos sendo nós mesmos ou apenas fingindo, participando de um jogo no pior sentido que essa palavra possa ter? O palhaço, personagem universal, não existe como ser político ou ético, mas como ser lúdico; é a possibilidade de voltar a enxergar o mundo com a pureza (e a sinceridade, a inocência, a agudez, a singularidade... a verdade!) do olhar da criança.


Cícero Silva tem um largo currículo na arte do palhaço, mas sem estrelismos e afetações, deixa os palhaços à vontade. Mostra o caminho mais seguro, dá dicas preciosas, fala de suas experiências, improvisa e cria na hora, orienta, deixa rolar... Ri e se diverte durante todos os trabalhos; é quase um “militar” nos comandos e exigências. Não é “bonzinho”; é exigente e cativante, rígido e apaixonante, cruel e amável... Um autêntico palhaço. Se um dos meus cinco heróicos leitores quiser saber mais sobre ele, basta entrar no site http://www.titete.com.br/ (tem um link aqui ao lado!) e ver que o cara é mesmo da pesada, embora pese (dados dele) apenas 57 quilos.


Não bastassem a riqueza da oficina e as novas amizades, foi uma delícia ir ao lendário Maleta tomar uma cerveja na noite de sábado e curtir um pouco da banda maldita da boemia belorizontina.


P.s.: assim que cheguei a Divinópolis, no domingo dia 20, dia especialíssimo para mim, não resisti e corri ao Kalahari Circo, que se apresentava por essas plagas. A imagem não ficou muito boa, mas todo o charme da alma decadente de um circo espelunca puderam ser capturadas nas curvas roliças da charmosa trapezista gordinha. Melhor: as crianças que estavam lá, com seus heróicos pais (calculei um público de mais ou menos umas cem pessoas) riam a valer das palhaçadas de Cheirosinho & Cia., mostravam-se apreensivos nos números de trapézio e equilibrismo, aplaudiam e participavam do espetáculo com palmas e gritos. Um barato! Infelizmente, um dia depois o circo levantou lona e partiu atrás de novos públicos. Uma pena que não se valorizem esses pequenos circos que lutam, às duras penas, pra sobreviver. Eu, particularmente, tento não perder um.

14 Julho, 2008

BOCA CHEIA DE HISTÓRIAS

Curso ensina técnicas de narração de histórias

Durante os dias 7 a 11 de julho participei do curso BOCA CHEIA DE HISTÓRIAS no Instituto Cultural Aletria (http://www.aletria.com.br), em BH. O curso foi ministrado pelo contador de histórias Zé Bocca.

Além de dinâmicas de aquecimento bastante criativas e divertidas, as oficinas de assimilação de ritmo, jogos e brincadeiras, criação e apropriação de histórias, improvisação, manuseio de objetos, criatividade e leitura, Zé Bocca (http://www.bocadehistorias.art.br) entremeava as aulas com as deliciosas histórias contadas com extremo domínio e envolvimento. Bocca é um cara extremamente simples, sem os estrelismos que costumam marcar pessoas envolvidas em atividades artísticas. Com formação teatral, conta histórias de forma viva e emocionante e leva seus ouvintes a viagens deliciosas.

O Instituto Aletria é um lugar que merece ser conhecido. Tudo lá está, de alguma forma, relacionado com o mundo maravilhoso das histórias. É um pessoal sério, que realiza um trabalho de altíssima qualidade. Se um dos meus cinco leitores tiver interesse, vale a pena manter contato com o pessoal, que sempre oferece cursos e oficinas de contação de histórias & coisas afins.

... Entrou por uma porta e saiu pela outra; quem quiser que conte outra.

13 Julho, 2008

NÃO HÁ LIMITES PARA A IMAGINAÇÃO


L’Oratório d’Aurélia nos leva de volta à infância através de um inusitado mundo onírico


Por uma dessas felizes surpresas que o acaso coloca em nosso caminho, assisti no último dia 10/7, no Palácio das Artes (BH/MG) ao belíssimo espetáculo L’Oratório d’Aurélia, com a atriz e bailarina francesa Aurélia Thierrée. 'Belíssimo' não diz tudo que há nesse espetáculo.

Utilizando-se de elementos dos universos circense e teatral, delicadamente coloridos com passos de dança, L’Oratório d’Aurélia é uma surpreendente sucessão de quadros, na qual é contata uma história sobre... Sobre o que mesmo é a peça? Talvez fale de um casal que se vê forçado a uma separação – ele terá que partir num trem que insiste em apitar seu dolorido sopro de despedida (como me lembrei de Adélia Prado com o trem atravessando toda sua vida; e de Bandeira, com o apito de um bonde que corta o silêncio como um túnel; e de Pessoa / Álvaro de Campos, com uma sacudidela de nervos e um ranger de ossos na partida).

Mas nada é narrado com precisão e o espectador pode atribuir à seqüência de quadros outros sentidos; à frouxidão da narrativa se sobrepõe a magia da revelação poética. Saí do teatro com uma certeza: se me perguntarem do que fala o espetáculo, eu não saberia ao certo dizer. A não ser que ele fala dos sonhos, do onírico, do universo poético.

Em L’Oratório d’Aurélia o mundo está de ponta-cabeça. O sorveteiro vende sorvetes de brasa incandescente, um rato arrasta um gato morto, a pipa vem para o chão enquanto no alto, na ponta da linha, está Aurélia; uma marionete se suicida, a sombra caminha ereta e projeta o corpo no chão; a moldura do cenário e as cortinas caem; o imponderável Theatre Guignol, onde as marionetes são o público. Os sonhos se sucedem uns aos outros e, no final, o trem atravessa o próprio corpo de Aurélia e no escuro, apenas suas luzes brilham.

A atriz Aurélia Thierrée sai de dentro de uma cômoda e se transforma em areia diante dos nossos olhos atônitos; ela é a tecelã de si mesma, numa das mais belas cenas do espetáculo. O bailarino que contracena com ela é fantástico, principalmente nos números em que tem como parceiros de dança vestidos e paletós.

Diante da sucessão de truques – todos simples, mas por isso mesmo mágicos, eis o segredo da ilusão – a maravilhada criança, duas filas atrás, inocentemente pedia: “Faz outra vez!”

Belíssimo. Fantástico. Onírico. Surpreendente. Poético. Singelo. Delicado. Etéreo. Hipnotizante.

06 Maio, 2008

MÚSICA

"QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA
BOM SUJEITO NÃO É
É RUIM DA CABEÇA
OU DOENTE DO PÉ"

SAMBA E FEIJÃO SÃO DUAS PAIXÕES BRASILEIRAS. QUANDO O BOCCA TEVE A IDÉIA DE JUNTAR AS DUAS COISAS, A GENTE JÁ SABIA QUE IA DAR CERTO.

DIA 17 DE MAIO VAI TER O "II SAMBA NO FEIJÃO".


EU VOU!!!
(clique na imagem para visualizar melhor)